O problema
O projeto de lei das Áreas de Revitalização Compartilhada era tecnicamente sólido — permitia que empreendedores investissem na zeladoria do entorno e abatessem o valor de IPTU e ISSQN. Mas lei que depende de adesão voluntária do setor privado morre por falta de comunicação: a câmara vota, ninguém fica sabendo, ninguém usa.
O desafio era duplo: aprovar o PL (engajando vereadores e a Prefeitura) e, ao mesmo tempo, construir uma narrativa que fizesse o setor empresarial querer participar quando a lei fosse sancionada.
A estratégia
O primeiro movimento foi o naming. “Áreas de Revitalização Compartilhada” é linguagem de urbanismo. “Quarteirão Vivo” é uma promessa visual e emocional — qualquer pessoa entende e quer. Isso não é estética, é posicionamento: o nome carrega a narrativa inteira.
A comunicação foi segmentada por persona. Para o morador: mensagem emocional (“Belo Horizonte já brilhou e pode brilhar de novo”). Para o empreendedor: mensagem racional e financeira (“cuidar do entorno do seu negócio pode reduzir seus impostos”). Duas personas, dois frames, uma lei.
Mapeei e engajei os stakeholders que representam os futuros usuários da lei — CDL-BH, ACMinas, Sindilojas, Fecomércio-MG e Abrasel-MG — antes da votação, criando prova social institucional. E preparei resposta pronta para as objeções (“vai ser mais burocracia”, “só beneficia os grandes”) antes que virassem problema.
O resultado
PL aprovado em 2º turno na Câmara Municipal de Belo Horizonte, transformado em lei. A comunicação construiu base de apoio institucional antes da votação e deixou a narrativa de adoção pronta para a implementação.
Por que isso é go-to-market
Um PL não é diferente de um produto que precisa de adoção. Você tem um produto (a lei), um usuário (o empreendedor), um problema que ele resolve (zeladoria com retorno fiscal) e objeções a tratar antes do lançamento. A comunicação foi construída com a mesma lógica de um go-to-market.